Domingão de pescaria! Nesse calorão,
pode ser uma boa. Depois, pegando ou não algum peixe, você,
como um bom pescador, pode sair por aí contando que pegou
um pintado de 40 quilos! Se perguntarem: "Mas a linha não
quebrou?". Você responde: "Que nada, a minha linha
é especial, tem pontes de hidrogênio!". É
verdade que vão achá-lo um pouco estranho... Mas o
que você disse também é verdade: o náilon
tem mesmo pontes de hidrogênio, por isso ele é tão
forte.
A
história do náilon começa nos anos 30, quando
o grupo do químico W. Carothers, das indústrias Du
Pont, procurava um polímero artificial que substituísse
a seda. Só que vários deles já haviam sido
produzidos e rejeitados, inclusive o próprio náilon,
que estava abandonado em um canto do laboratório. Até
que, num belo dia, os ajudantes de Carothers começaram a
brincar de esticar o náilon até formar um fio bem
fininho. Surpresa: esse fio era muito resistente! Pronto, estava
criada a primeira seda artificial. Eles, por acaso, tinham descoberto
o segredo: esticar o náilon a frio.
O
que acontece é que, na estrutura desse polímero, existem
grupos N-H e C=O. Como você sabe, os átomos de N e
de O são muito eletronegativos, isto é, atraem elétrons.
Isso faz com que eles fiquem carregados negativamente, enquanto
os átomos de C e H fiquem positivos. No estiramento a frio,
as longas cadeias do polímero são alinhadas de modo
que a carga negativa do O de uma delas atraia a positiva do H da
cadeia vizinha. Essa intensa força de atração,
que "cola" as cadeias, é a tal ponte de hidrogênio.
Como são inúmeras pontes de hidrogênio por fio,
o resultado é uma tremenda resistência à tração!
De
cara, o náilon foi um sucesso, e ele está aí
até hoje. Aliás, você já percebeu que,
às vezes, a gente toma pequenos choques ao encostar na lataria
de um carro? Culpa de quem? Das roupas de náilon (e de mais
alguns fatores, é verdade). Quando elas são atritadas
no estofamento, esses ladrões de elétrons --os átomos
de N e de O-- colaboram para eletrizar a sua roupa. Aí é
só encostar num metal e... choque!
E
o que as beterrabas do título têm a ver com essa história?
Para fazer o náilon, utiliza-se uma substância chamada
ácido hexanodióico, que, adivinha só, ajuda
a dar o sabor das beterrabas! Essa química é mesmo
um barato!
Luís Fernando Pereira é professor do curso Intergraus
e coordenador de química do sistema Uno/Moderna. E-mail:
lula5@ig.com.br