| Alquimia
Alquimia
é uma palavra derivada do árabe al-kimia, que por
sua vez originou-se do grego khymeia, que significava: mistura de
vários ingredientes. Na realidade a origem da palavra é
incerta, sobretudo a raiz chem, ou khim de onde deriva também
a palavra Química. O termo alquimia, com sua conotação
inicial, foi o nome dado, durante o séc. XII, a alguns aspectos
da Astrologia, um conceito bem antigo relacionado com os corpos
celestes, de um modo geral. Embora seja fixado o século XIII
como o do nascimento da Alquimia clássica, ela já
era praticada desde a Antiguidade, desde os Sumérios, e também
na China, Grécia, Índia, Arábia, sempre envolvida
em mistérios, hermeticismo, sociedades secretas, arcanos.
Existe, entretanto, uma idéia básica sobre a qual
repousou toda a Alquimia, e que de certa forma representa o desejo
permanente de todo ser humano: a procura da imortalidade, da vida
eterna. E mais, a procura da fonte das riquezas, do ouro, representação
do poder resultante das posses, do dinheiro. E a idéia da
transmutação, da procura da Pedra Filosofal, segundo
a qual, mediante operações cabalísticas ou
místicas, poder-se-ia obter ouro a partir de outras substâncias
e também se atingir uma vida eterna. Do ponto de vista que
nos interessa, a relação da Alquimia com a Química,
uma série de operações oriundas não
só da Alquimia como de épocas anteriores, quando já
se praticava a Metalurgia, permanecem até hoje na Química
empírica, como manipulações que envolvem aquecimento,
fusão, extração, destilação,
sublimação, filtração etc. Metais como
ouro, prata, cobre, chumbo, ferro e estanho eram conhecidos e trabalhados
antes da época da Alquimia. O mercúrio – metal
líquido que provavelmente foi descoberto por volta de 300
a.C. – foi bastante utilizado pelos alquimistas, assim como
o elemento enxofre, que já era conhecido desde a pré-história
e foi utilizado nas primeiras operações metalúrgicas.
Os alquimistas também descobriram e prepararam novos compostos,
resultados de reações entre metais e sais de cobre
e ferro, que denominaram vitríolos; alumes (sulfatos duplos
hidratados de potássio e amônio), cloretos de sódio
e amônio e os ácidos minerais, clorídrico, nítrico
e sulfúrico.

Fonte: DERBY, Joseph Wright of (1734-1797): O Alquimista
à procura da Pedra Filosofal descobre o Fósforo. Copyright
Adam Mc Lean. 2000. The Alchemy Web site.
Alquimistas
famosos foram muitos, mas vamos mencionar apenas três: Nicolas
Flamel (1330-1418) - conta a história, que Flamel sonhou
com um livro misterioso, conseguiu encontrá-lo e decifrou
sua linguagem criptografada com a ajuda de um mestre judeu, que
conhecia os escritos místicos hebreus da Kabala. Com auxílio
desse livro, Flamel conseguiu enganar a si próprio e aos
outros, supondo ter obtido ouro a partir de metais menos nobres,
e assim conseguiu glória e riqueza, passando à posteridade.

Fonte: Niicolas Flamel. Copyright Adam Mc Lean 2000.
The Alchemy Web site.
Outro
famoso alquimista foi Paracelso (1494-1541), cujo nome verdadeiro
era Phillipus Aureolus Thephrastus Bombast von Hohenmeim, médico
e alquimista, um preparador de remédios baseados em crenças
populares e produtos químicos, tendo iniciado a aplicação
da química na medicina.

Fonte: Paracelso. Copyright Adam Mc Lean 2000.
The Alchemy Web site
O terceiro alquimista a ser citado
é uma mulher, sem dúvida a figura feminina mais interessante
da Alquimia: a controvertida Maria, a Judia. A época em que
viveu, e seus feitos estão envoltos em dúvidas e mistérios,
mas é certo que existiu, tantas são as menções.
Teriam sido várias Marias? Alguns a chamam de Maria a Profetisa,
ou Miriam, e teria sido irmã do próprio Moisés
bíblico. Outros a consideram como contemporânea do
alquimista judeu Theófilo. Ou ainda, a situam na época
de Aristóteles, uma vez que a concepção aristotélica
dos 4 elementos formadores do mundo condiz bastante com as idéias
alquimistas de Maria. Segundo Aristóteles, o enxofre era
considerado a expressão do elemento fogo e Maria o tomou
como base para os principais processos que estudou. O enxofre mencionado
por ela em frases sempre misteriosas, era "uma pedra que não
é pedra" e "tão comum que ninguém
a consegue identificar". Conta ela que Deus lhe revelou uma
maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre
era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em
minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transmutação,
ou transformação, de metais menos nobres em ouro.
Dentre as invenções de Maria está o que até
hoje chamamos de banho-maria, dois equipamentos de destilação,
com dois ou três saídas para destilados – o Dibikos
e o Tribikos – um aparelho para sublimação,
sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico.
Fonte: VASCONIA, Giovanni di. Maria a Judia. Gravura
constante manuscrito Fiore de' Fiori (Flor das Flores), depositado
na Biblioteca Nazionale Victor Emanuele em Nápoles, e que
representa uma das sete visões de Maria, a Profetisa à
procura da Pedra Filosofal.
A Alquimia persistiu sendo praticada
até o séc. XVII, quando tem início a chamada
Química Moderna, com as características de ciência,
observação, experimentação, repetição
e confirmação dos resultados dos experimentos, identificação
e formulação de leis, inicialmente as Leis Ponderais
das reações químicas, com Lavoisier, Proust,
Dalton. O estudo da História da Química certamente
inclui o estudo da Alquimia, e é com esse espírito
que esta seção tem o nome de Química Antiga.
Bibliografia
ALLORGE, Henry. Le secret de Nicolas Flamel. Paris, 1929.
ARES, José Manuel. Re-criações Hermeticas.
Ensaios Diversos sob o signo de Hermes. Hugin ,
Lisboa, 1996.
EBERLY, John. Al-Kimiai: The Mystical Islamic Essence of The Sacred
Art of Alchemy. Aramneses Press, 1995.
JACOBI, Jolande. Paracelsus . Selected Writings. Princeton, 1979.
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