O
que é uma pilha?
Produção de corrente elétrica, de forma espontânea,
a partir de dois metais diferentes em um meio ácido ou eletrolítico.
Transformação de energia química em energia
elétrica.
Um metal sempre irá se oxidar, perder elétrons, corroer
(agente redutor), e o outro sempre irá reduzir, ganhar elétrons
(agente oxidante).
Em uma pilha sempre há os eletrodos, que é o sistema
formado por um metal e a solução eletrolítica
vizinha; o eletrodo é uma região.
O eletrodo onde ocorre a oxidação é denominado
Ânodo, e é o pólo negativo da pilha, por onde
os elétrons saem.
O eletrodo onde ocorre a redução é denominado
Cátodo, e é pólo positivo da pilha, por onde
os elétrons chegam.
Como foi descoberta a pilha
Alessandro Volta, que iniciou o estudo moderno da eletricidade,
foi professor da Universidade de Pávia, na Itália.
Recebeu o título de conde, conferido por Napoleão
Bonaprte. A invensão da pilha por Volta originou-se de uma
observação do biólogo italiano Luigi Galvani,
professor de anatomia da universidade de Bolonha.
Certa ocasião, Galvani pendurou pernas de rã, através
de ganchos de cobre, a um suporte de ferro, com a finalidade de
secá-las. Devido à brisa, as pernas balançavam,
e Galvani notou que, cada vez que as pernas tocavam no suporte de
ferro, elas contraíam. Ele atribuiu as contrações
a uma corrente elétrica produzida pela rã.

FIGURA
1. Experimento de Galvani.
Alessandro
Volta não concordou com Galvani, explicando que a corrente
elétrica era originada pela existência de dois metais
diferentes em contato com substâncias ácidas existentes
no corpo da rã. Para demonstrar a sua teoria, construiu a
primeira pilha elétrica.
A
pilha original inventada por Alessandro Volta tinha a seguinte disposição:
um disco de cobre, sobre ele um disco de pano embebido em ácido
sulfúrico diluído em água e um disco de zinco;
sobre este, outro disco e assim por diante, formando um conjunto
de discos empilhados uns sobre os outros. Assim o nome pilha elétrica.
Aos discos extremos ligam-se fios condutores, que são os
terminais da pilha.
Tipos
de Pilha
•
Pilhas não recarregáveis
•
Pilha Seca
A pilha foi desenvolvida por Leclanché por volta de 1865
e aperfeiçoada por Gassner em 1866.
A
reação química neste tipo de pilha é
irreversível. Uma vez que todos os reagentes foram transformados,
a pilha cessa o seu funcionamento.
A
pilha é formada por um invólucro de zinco, que funciona
como o ânodo da pilha. O cátodo é constituído
por uma barra cilíndrica central de grafite mergulhado numa
pasta úmida contendo MNO2, NH4Cl e carvão em pó.
As reações que ocorrem na descarga são complexas
e ainda não totalmente esclarecidas. Provavelmente essas
reações são:


FIGURA 2. Esquema da pilha seca
Quando
deixamos uma pilha dentro de um aparelho, pode ocorrer a corrosão
do invólucro de zinco, acarretando o vazamento da pasta úmida
(eletrólito) e prejudicando o aparelho.
Quando
se utiliza continuamente uma pilha, a amônia (NH3) formada
na semi-reação do cátodo envolve o bastão
de grafite, dificultando a descarga e, com isto, acarretando uma
diminuição da voltagem. Retirando essa pilha do aparelho,
após um certo tempo ela irá funcionar relativamente
bem de novo, pois os íons Zn2+ removem o NH3:

Se
colocarmos a pilha na geladeira, vai evitar de formarem os gases
em torno do eletrodo de carvão, fazendo com que a pilha dure
mais, pois desde que compramos a pilha, ela já está
usada, porque a reação não pára. Assim
com a diminuição da temperatura, há uma diminuição
na velocidade da reação.
•
Pilha Alcalina
Este
tipo de pilha é semelhante à de Leclanché.
A diferença é que a sua mistura eletrolítica
contém hidróxido de potássio, uma base fortemente
alcalina, que substitui o NH4Cl das pilhas comuns (seca).
A reação global é:

Não
há produção de gás, sendo então
mais durável que a pilha seca. Também não é
recarregável.
•
Pilha de Mercúrio
As
pilhas de mercúrio são muito utilizadas em relógios,
câmaras fotográficas, aparelhos para melhorar a audição,
calculadoras, etc..
A reação global da pilha é:

•
Pilhas de Lítio
As
pilhas de lítio são leves e originam uma grande voltagem
(3,4 volts), sendo muito usadas em marcapassos.
O
ânodo dessa pilha é o lítio, enquanto o cátodo
é uma mistura complexa de substâncias, entre elas o
cloreto de sulfurila (SOCl2).
A
reação global da pilha é:

•
Pilhas recarregáveis
•
Bateria de níquel-cádmio
Muito
utilizado em filmadoras, flashes, aparelhos eletrônicos, portáteis,
telefones, etc..
O ânodo da bateria de níquel-cádmio é
feita do metal cádmio (Cd); o cátodo contém
óxido de níquel IV (NiO2) e a solução
eletrolítica é hidróxido de potássio.
A reação global dessa bateria durante a sua descarga
é:

Como
os hidróxidos de Ni e Cd são insolúveis, eles
acabam se depositando nos eletrodos. Quando isso ocorre, a bateria
pára de funcionar, mas, se fornecermos energia elétrica
de um fonte externa, a reação ocorre no sentido oposto,
regenerando o Cd e o NiO2. Assim, a bateria funciona novamente.
•
Pilhas de combustível
Esta
pilha é recarregável. Isto ocorre porque os produtos
da reação são depositados diretamente nos eletrodos.
A passagem de corrente elétrica por uma pilha de combustível
pode reverter as reações no eletrodo e levar a pilha
à sua condição original.
A pilha mais conhecida deste tipo é a pilha combustível
de chumbo. A bateria de 12 V usada nos automóveis apresenta
duas vantagens: sua capacidade de fornecer grandes quantidades de
energia durante um período curto e a sua capacidade de ser
recarregada. Uma desvantagem é a sua grande razão
massa energia.
O
ânodo da pilha é formado por um grupo de placas de
chumbo, cujas grades são preenchidas com chumbo cinza esponjoso.
O cátodo consiste em outro grupo de placas de tamanho semelhante
cheias com óxido de chumbo IV, PbO2. Estes dois conjuntos
de placas alternam-se na bateria. Eles estão imersos em uma
solução aquosa de ácido sulfúrico, que
atua como eletrólito.
Quando a pilha está fornecendo corrente, o chumbo na tela
do ânodo é oxidado a íons Pb2+. Estes imediatamente
reagem com íons SO4- no eletrólito, precipitando PbSO2
nas placas. No cátodo, dióxido de chumbo é
reduzido a íons Pb2+, que também precipitam como PbSO4-:

Lentamente
acumulam-se depósitos de chumbo nas placas, cobrindo e substituindo
parcialmente o chumbo e o dióxido de chumbo. À medida
que a pilha descarrega, a concentração de ácido
sulfúrico diminui. Para cada mol de chumbo que reage, dois
moles de H2SO4 são substituídos por dois moles de
água. A carga de uma bateria de combustível pode ser
checada medindo-se a densidade do eletrólito. Quando está
a plena carga, a densidade está na faixa de 1,25 a 1,30 g/cm3.
Densidade abaixo de 120 g/cm3 indica baixa concentração
de ácido sulfúrico e, portanto, uma bateria parcialmente
descarregada.

FIGURA
3. A bateria do carro.
Para
recarregar a pilha é necessário passar uma corrente
contínua na direção oposta, assim ela atua
como uma célula eletrolítica (ocorre um eletrólise).
A energia elétrica necessária para levar a efeito
esta reação não-espontânea em um automóvel
é fornecida por um alternador equipado com um retificador
que converte corrente alternada em corrente contínua.
Corrosão
"A
corrosão é a transformação de um material
pela sua interação química ou eletroquímica
com meio em que se encontra".
Geralmente
quando se fala em corrosão a primeira coisa que pensamos
é em um pedaço de ferro enferrujado. De fato, este
é um exemplo clássico de corrosão, mas não
podemos nos limitar apenas a isto.
A corrosão pode ser classificada em dois tipos:
Uniforme:
o ataque é homogêneo na superfície atingida.
Localizada: estabelece-se preferencialmente em alguns pontos e tem
subdivisões.
•
Pites
• Alvéolos
• Placas
• Intergranular (micrografia)
• Intragranular (micrografia)
• Seletiva: Grafitização
Dezincificação
Em torno de solda
• Esfoliação
• Frestas
• Correntes de fuga
Sempre
quando há corrosão é porque formou uma pilha.
Como já vimos muitos pilhas são viáveis, mas
outras não, pois podem danificar materiais, superfícies.
Para
se proteger da corrosão existem alguns métodos:
•
Inibidores
• Modificação de processo
• Modificação das propriedades dos metais
• Modificação de projetos
• Emprego de revestimentos protetores metálicos
• Proteção catódica (É
o único método capaz de reduzir a corrosão
a zero. Princípio: transformar a superfície de interesse
em cátodo de um pilha)
• Proteção anódica
Estes
serão melhor estudados no tópico eletrólise.
Um
método comumente utilizado é o uso do "metal
de sacrifício", que consiste um revestir o metal por
um outro metal que tenha tendência maior em oxidar, assim
ele oxida primeiro que o outro, protegendo-o.
O
aço inoxidável
Objetos
de inox são preferidos porque "não oxidam".
O segredo deste material é que na verdade ele já está
oxidado. Sua superfície é revestida por um óxido
de cromo. A composição do aço inoxidável
é também bastante resistente à corrosão:
liga de ferro que contém de 12 a 30% de cromo e 22% de níquel
em massa.
Esses materiais também oxidam, mas são mais resistentes
e se degradam em uma velocidade bem menor. Nenhum material conhecido
é totalmente imune à corrosão.
Referências bibliográficas
FERRARO,
Nicolau Gilberto. Eletricidade: história e aplicações.
10ª ed. São Paulo: Editora Moderna, 1986.p. 31-35.
PERUZZO,
Tito Miragaia; CANTO, Eduardo Leite do. Química na abordagem
do cotidiano. São Paulo: Moderna, 1993. v 2 p. 116-77.
GENTIL,
Vicente. Corrosão.2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Dois,
1983, 453 p.
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