Luminol
e os crimes misteriosos
Muitos crimes, sobretudo assassinatos, deixam de ser solucionados
por falta de provas conclusivas. Hoje em dia, a identificação
do DNA de vítima e/ou agressor auxilia de forma determinante
na obtenção dessas provas. Entretanto, o criminoso
procura na maior parte das vezes executar o chamado "crime
perfeito", sem deixar rastros visíveis. Trabalham talvez
com luvas, com o propósito de não deixar impressões
digitais e caso disponham de tempo e condições, limpam
e lavam todo o ambiente no qual o crime foi cometido. Das armas,
ou possíveis instrumentos usados no ataque fatal, são
também meticulosamente retiradas quaisquer manchas ou partículas
de sangue.
A
chamada Química Forênsica, ou Criminalística,
entretanto, dispõe hoje de poderoso auxiliar capaz de achar
e identificar quantidades mínimas de sangue, mesmo quando
completamente invisíveis a olho nu ou com instrumentos óticos
comuns, em locais de onde foram retiradas cuidadosamente.
A
substância luminol permite esse "quase" milagre,
fornecendo uma coloração brilhante azul esverdeada
quando entra em contato com sangue, mesmo quantidades mínimas
ou após muitos anos passados.
O
luminol permite detectar sangue na proporção de uma
parte em um milhão (assim como uma gota de sangue em 999.999
gotas de água).
Como
e por que isso ocorre?
O
sangue humano contém um pigmento, a hemoglobina, cuja função
consiste em transportar o essencial elemento oxigênio por
todo o corpo.
Heme, parte da molécula de hemoglobina contendo
um átomo de ferro (verde).
O
sangue, ou melhor, a hemoglobina contendo o elemento ferro vai promover
uma interessante reação quimiluminescente - produção
de luz devido a uma reação química.
O
luminol é um composto orgânico usualmente obtido como
um pó. Quando se mistura esse pó com peróxido
de hidrogênio (água oxigenada, um poderoso oxidante)
e com uma base (hidróxido), na presença de um catalisador,
ocorre a emissão de radiação luminosa. Existem
vários catalisadores que permitem a observação
de luz, porém a hemoglobina encontrada no sangue é
o mais poderoso, mostrando uma intensa luz azul esverdeada. Dessa
forma é possível detectar quantidades mínimas
de sangue - processo científico usado pela Criminalística.
Na
hipótese da presença de traços de sangue, o
ferro da hemoglobina acelera a reação de oxidação
ocorrente entre a água oxigenada e o luminol. Nessa reação,
o luminol perde átomos de nitrogênio e de hidrogênio
e ganha átomos de oxigênio, resultando num composto
conhecido como 3-amino-ftalato. Os elétrons presentes nos
átomos de oxigênio são, no momento da reação,
promovidos a orbitais mais altos, porém, muito rapidamente
voltam a um estado mais baixo, emitindo energia sob a forma de um
fóton luminoso.
A
Quimiluminescência é exatamente isso: a produção
de radiação eletromagnética sob a forma de
luz como resultado da liberação de energia por uma
reação química. Essas reações
são conhecidas como reações quimiluminescentes,
e envolvem geralmente compostos sintéticos em contato com
oxidantes fortes como o peróxido de hidrogênio.
Fonte:
© Editora Moderna
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