Isopor (Poliestireno Expandido - EPS)
Parte
1: Introdução
O isopor - poliestireno expandido, é um plástico celular
e rígido, que pode apresentar numa variedade de formas e
aplicações. Apresenta-se como uma espuma moldada,
constituída por um aglomerado de grânulos. O isopor
é uma espuma formada a partir de derivados de petróleo,
é o poliestireno expandido. Na sua antiga fabricação
entrava o gás CFC, acusado de ser nocivo a camada de ozônio.
Porém atualmente usa-se outro gás para expandir o
poliestireno. Nas instalações dos produtores de isopor,
a matéria prima é sujeita a um processo de transformação
física, não alterando as suas propriedades químicas.
Esta transformação processa-se em três etapas
:
a) A pré-expansão
A expansão do poliestireno (PS) expansível é
efetuada numa primeira fase num pré-expansor através
de aquecimento por contato com vapor de água. O agente expansor
incha o PS para um volume cerca de 50 vezes maior do original. Daí
resulta um granulado de partículas de isopor constituídas
por pequenas células fechadas, que é armazenado para
estabilização.
b) O armazenamento intermediário
O armazenamento é necessário para permitir a posterior
transformação do isopor. Durante esta fase de estabilização,
o granulado de isopor arrefece o que cria uma depressão no
interior das células. Ao longo deste processo o espaço
dentro das células é preenchido pelo ar circundante.
c) A moldagem
O granulado estabilizado é introduzido em moldes e novamente
exposto a vapor de água, o que provoca a soldadura do mesmo;
assim obtém-se um material expandido, que é rijo e
contém uma grande quantidade de ar. Para fabricar placas
para a Construção Civil produzem-se blocos de isopor
em grandes moldes paralepipédicos. Para fabricar moldados
em isopor, o granulado é insuflado para dentro de moldes
com a conformação das peças pretendidas. A
escolha do tipo de matéria prima e a regulação
do processo de fabricação, permitem a obtenção
de uma ampla gama de tipos de isopor, com diversas densidades, cujas
características se adaptam às aplicações
previstas.
Parte 2:Características
• Baixo peso específico: podem ser obtidas densidades
ao redor de 9 kg/m³ podendo chegar até mais de 40 kg/m³,
normalmente, mais de 97% de seu volume é constituído
de ar, as peças moldadas, possuem maior densidade que os
blocos.
• Alta resistência à compressão: normalmente
varia de 7000 kgf/m² até 14000 kgf/m², maior que
a resistência de muitos solos.
• Elasticidade
• Baixa condutibilidade térmica
• Estabilidade térmica
• Nenhuma ascenção capilar
• Baixa absorção de água e umidade
• Inodoro
• Não embolora
• Adere a outros plásticos
• Isolamento Acústica
• Durabilidade: não é conhecido o limite de
idade do isopor, no entanto, as propriedades do isopor impõem
a sua correta aplicação para que seja garantido um
desempenho adequado ao longo do tempo. A estrutura celular é
danificada pelos solventes sendo este processo acelerado com temperaturas
elevadas. Nestes casos terá de se evitar o contato ou exposição
a vapores destes materiais.
• Água, água do mar, soluções
de sais
• Materiais de construção correntes (cal, cimento,
gesso)
• Soluções alcalinas
• Soluções ácidas fracas
• Ácido clorídrico 35%
• Ácido nítrico 50%
• Sais, adubos
• Betumes, produtos betuminosos diluídos com água
• Álcool (+ ou -)
Parte 3: Aplicações e Usos
Duas características do Isopor têm fortalecido
a sua presença no mercado consumidor, onde vem obtendo crescente
participação: a leveza e a capacidade de isolamento
térmico, às quais ainda se associa o baixo custo.
Têm sido utilizado na confecção de peças
como:
• Caixas térmicas para acondicionamento de bebidas
e alimentos.
• Porta - mamadeiras.
• Porta - garrafas de cerveja.
• Porta - copos.
• Baldes para gelo.
• Pranchas esportivas.
• Pranchas para artesanato.
• Esferas para vitrinismo.
Na Construção e nas Embalagens
As aplicações do isopor na construção
civil são extraordinariamente variadas, salientando que o
isopor, além de ser um excelente material de isolamento térmico,
pode também ser um sistema construtivo.
Vantagens:
• Baixa condutibilidade térmica
A estrutura de células fechadas, cheias de ar, dificultam
a passagem do calor o que confere ao isopor um grande poder isolante.
• Leveza
As densidades do isopor variam entre os 10-30 kg/m3, permitindo
uma redução substancial do peso das construções.
• Resistência mecânica
Apesar de muito leve, o isopor tem uma resistência mecânica
elevada, que permite o seu emprego onde esta característica
é necessária.
• Baixa absorção de água
O isopor não é higroscópico. Mesmo quando imerso
em água o isopor absorve apenas pequenas quantidades de água.
Tal propriedade garante que o isopor mantenha as suas características
térmicas e mecânicas mesmo sob a ação
da umidade.
• Fácil de manusear e colocar
O isopor é um material que se trabalha com as ferramentas
habitualmente disponíveis, garantindo a sua adaptação
perfeita à obra.
O baixo peso do isopor facilita o manuseamento do mesmo em obra.
Todas as operações de movimentação e
colocação resultam significativamente encurtadas.
• Resistente quimicamente
O isopor é compatível com a maioria dos materiais
correntemente utilizados na construção de edifícios,
tais como cimento, gesso, cal, água, etc.
• Versátil
O isopor pode apresentar-se numa variedade de tamanhos e formas,
que se ajustam sempre às necessidades específicas
da construção.
• Resistente ao envelhecimento
Todas as propriedades do isopor mantêm-se inalteradas ao longo
da vida do material, que é pelo menos tão longa quanto
a vida da construção de que faz parte. O isopor não
apodrece nem embolora, não é solúvel em água
nem liberta substâncias para o ambiente. O isopor não
constitui substrato ou alimento para o desenvolvimento de animais
ou microrganismos.
• Higiênico e totalmente inócuo
O isopor não constitui substrato ou alimento para o desenvolvimento
de microrganismos, não absorve umidade nem liberta qualquer
substância, podendo assim estar em contato direto com os produtos
alimentares sem lhes alterar as características.
• Promotor da venda
A apresentação atrativa de um produto no ponto de
venda é determinante para o seu sucesso. O isopor permite
criar uma apresentação de alto valor realçando
o produto.
• Econômico
Tomando em conta os diversos parâmetros como as quebras, mão
de obra, manuseamento, baixo peso, transporte, armazenagem, a embalagem
em isopor resulta economicamente vantajosa.
• Adaptável aos produtos
As características do isopor permitem criar embalagens "à
medida" de qualquer produto, tornando o isopor num material
versátil que oferece sempre as máximas prestações.
Parte 4: O Impacto no Meio Ambiente
O isopor é um produto sintético proveniente do petróleo
e deriva da natureza, tal como o vidro, a cerâmica e os metais.
Na natureza o isopor leva 150 anos para ser degradado, conforme
estimativas. Na natureza, pelotas de isopor são confundidas
com organismos marinhos, como o plástico, e ingeridas por
cetáceos e peixes, afetando-lhes o sistema digestivo. Quimicamente,
o isopor consiste de dois elementos, o carbono e o hidrogênio.
O isopor não contem qualquer produto tóxico ou perigoso
para o ambiente e camada de ozônio (está isento de
CFCs). O gás contido nas células é o ar. Por
se tratar de um plástico e de ser muito leve, o processo
de fabricação consome pouca energia e provoca pouquíssimos
resíduos sólidos ou líquidos. O gás
expansor incorporado na matéria prima (o poliestireno expansível)
é o pentano. O isopor pode ser considerado um produto ecológico,
já que não contamina o solo, a água e o ar
e é 100% reciclável e reaproveitável. A utilização
do isopor como isolamento térmico permite poupar energia
que, durante a vida útil do edifício, pode chegar
a ser centenas de vezes superior à energia consumida durante
o seu fabricação. Esta economia de energia significa
que, para além preservar os recursos energéticos,
o uso de isopor reduz a emissão dos gases poluentes e dos
gases que contribuem para o efeito estufa na atmosfera.
Parte 6: Reaproveitamento do isopor para fabricar concreto
leve
(Fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br)
Curitiba vai ser a primeira cidade brasileira a reaproveitar o isopor
que hoje é depositado como lixo nos aterros sanitários.
Uma usina para fabricar concreto leve com a utilização
do isopor coletado. A idéia do projeto é aproveitar
o isopor para substituir a pedra britada na fabricação
de concreto leve (mistura de cimento, areia, cola e isopor). Os
produtos vão ser comercializados para pessoas físicas
ou empresas, e a renda será destinada para o Instituto Pró-Cidadania
e aplicada em ações sociais. Além da fabricação
de produtos, a usina vai desenvolver um projeto com o Horto Municipal
para aproveitar o isopor no processo de compostagem. O isopor moído
também pode ser aproveitado na aeração de solo
em parques e jardins, já que facilita a retenção
de umidade e mantém a temperatura do solo. Considerado um
dos "vilões" do lixo porque ocupa muito espaço
nos aterros sanitários o isopor é composto por 98%
de ar e apenas 2% de plástico e, portanto, economicamente
inviável para a reciclagem (derretimento do produto para
reaproveitá-lo como matéria-prima). Além de
aproveitar o isopor para a fabricação de produtos,
o projeto lançado em Curitiba também prevê o
desenvolvimento de novas tecnologias. Em parceria com o Instituto
Pró-Cidadania, uma equipe de alunos e professores do Cefet-PR
(Centro Federal de Educação Tecnológica) vai
desenvolver uma pesquisa sobre a construção de casas
utilizando o concreto leve. Os estudos vão incluir ensaios
técnicos para verificar dados como a resistência do
isopor ao fogo, à compressão e à dilatação.
O concreto leve pode ter várias vantagens na construção,
já que apresenta um custo mais baixo e pode funcionar como
isolante térmico e acústico. A idéia é
realizar testes para definir as características do material
e avaliar as possibilidades de utilização do produto.
Indústrias que utilizam o isopor nas suas embalagens também
poderão fazer parcerias com a usina de concreto leve, já
que muitas delas não têm uma destinação
adequada para o produto. A própria norma ISO 14.000, que
trata da qualidade ambiental, exige que todos os resíduos
que saem da empresa têm que ter uma destinação
correta. Com o lançamento desse projeto, vamos auxiliar as
empresas a alcançar essa meta no descarte do isopor. No mundo
todo, são consumidos anualmente cerca de 2,5 milhões
de toneladas de EPS. No Brasil, esse consumo pulou de 9 mil toneladas
em 1992 para 36,5 mil no ano passado, um aumento de quase 300%.
Possível
substituição do EPS por um composto biodegradável
Um composto biodegradável que poderá substituir o
isopor na maioria de suas aplicações foi desenvolvido
pela empresa Kehl, instalada em São Carlos, no interior paulista.
Obtido a partir do óleo de mamona, o novo produto foi patenteado
com o nome de bioespuma. O composto é produzido à
base de biomassa, ou seja, é um recurso renovável.
Sua síntese envolve três reações: duas
esterificações, a primeira entre o óleo de
mamona e o amido, e a segunda com óleo de soja. O produto
obtido, um poliol, deve reagir ainda com um isocianato (NCO) para
que se chegue a uma espuma poliuretana biodegradável a bioespuma.
Trata-se de um polímero caracterizado principalmente pela
ligação química uretana (RNHCOOR), que lhe
dá rigidez e flexibilidade. É a ligação
uretana a principal responsável pelas propriedades físicas
da bioespuma, como textura, densidade, resistência à
compressão e resiliência. Essas características
assemelham-se muito às do isopor. Trata-se de um intermediário
entre a espuma tradicional e o isopor, plenamente capaz de substituí-lo,
explica Ricardo Vicino, químico responsável pela descoberta
do composto. Já a bioespuma se decompõe em um tempo
consideravelmente menor. Testes feitos na empresa mostraram que
entre oito meses e um ano ela desaparece totalmente no meio ambiente.
Durante o verão esse tempo pode ser reduzido a até
três meses, garante Vicino. Assim, o material pode ser classificado
como biodegradável.