Permacultura
O que é
Permacultura?
Em
poucas palavras, dizemos que Permacultura é: um sistema
de planejamento para a criação de ambientes humanos
sustentáveis. Seus princípios teóricos e
práticos são uma síntese das práticas
agrícolas e conhecimentos tradicionais e das descobertas
da ciência moderna visando o desenvolvimento integrado da
propriedade.
A Permacultura
oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação
e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo
e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade
e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável,
habitação e energia devem ser providos de forma
sustentável para criar culturas permanentes. Exemplos:
banheiro seco, construções com bambú, taipa,
pau a pique etc..
Por que Permacultura?
Porque
tendo como base o planejamento consciente, a Permacultura torna
possível, entre outras coisas, a utilização
da terra sem desperdício ou poluição, a restauração
de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia.
Quando a ação do permacultor se volta para áreas
agrícolas, o resultado é a reversão de situações
dramáticas de degradação sócio-ambiental.
Todo sistema permacultural deve evoluir, com designs arrojados,
para a construção de sociedades economicamente viáveis,
socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de
agroecossistemas que sejam produtivos e conservadores de recursos
naturais.
A Permacultura exige uma mudança de atitude que consiste
basicamente em fazer os seres humanos viver de forma integrada
ao meio ambiente, alimentando os ciclos vitais da natureza. Como
ciência ambiental, reconhece os próprios limites
e por isso nasceu amparada por uma ética fundadora de ações
comuns para o bem do sistema Terra. Os australianos Bill Mollison
e David Holmgren, fundadores da Permacultura nos anos 70, buscaram
princípios éticos universais surgidos no seio de
sociedades indígenas e de tradições espirituais,
que estão orientados na lógica básica do
universo de cooperação e solidariedade.
Características da permacultura:
• É possível
o uso da terra em pequena escala.
• O uso da terra é intensivo e não extensivo.
• Há diversidade nas espécies de plantas,
variedades, produtividade.
• O prazo longo, um processo evolucionário (várias
gerações).
• Os elementos integrantes do sistema são silvestres
ou pouco selecionados (tanto animais como vegetais).
• Possibilita a integração da agricultura,
pastoreio, reflorestamento, realizando uma verdadeira engenharia
ecológica;
• É adaptável a terras marginais, pantanosas,
rochosas ou inclinadas, inadequadas a outros sistemas.
Artigo: A Permacultura
para o Desenvolvimento Sustentável do Brasil
A Permacultura
é muito mais do que uma moderna ciência holística
de desenvolvimento sustentável, mas uma concepção
e filosofia de vida ecológica e ambiental considerada mais
próxima das aspirações do III milênio,
e que desenvolve uma cultura sustentável que integra inicialmente
a arquitetura, a engenharia, a ecologia, agronomia e a nutrição,
de uma maneira inter e transdisciplinar, que objetiva utilizar
da melhor forma os recursos naturais renováveis possibilitando
a formação de cidades, aldeias sociais, condomínios
e fazendas estruturadas com padrões de sustentabilidade
agrícola mais permanentes e de menor gasto de energia e
de trabalho para a sua manutenção.
Sobretudo que valorizem a manutenção das florestas
e da vida natural, fazendo o habitat humano adaptar-se a realidade
natural que o circunda. Parte da premissa de que a natureza é
que possui a pureza e o poder de manter seu planeta em harmonia
com o Universo. Assim a Permacultura objetiva também levar
a sociedade humana a pulsar este grau de harmonia e concepção
espiritual. Desde o planejamento da casa e do ambiente, utilização
inclusive econômica e sustentável das florestas e
das matas, de materiais recicláveis e de sistemas muito
eficientes de reciclagem de resíduos, diversificação
produtiva, produtos de ponta e de alta qualidade como castanhas,
óleos, resinas, passas, remédios e produtos farmacêuticos
industriais, que possam remunerar melhor os produtores e tragam
uma maior auto-suficiência à propriedade e da economia
social e familiar, são os aspectos observados nesta importante
e muito avançada escola de desenvolvimento e prática
de um ritmo e concepção de vida mais sustentável
do 3o. milênio.
Por isso ampliou-se mais em países mais jovens e mais sustentáveis
como a Austrália, Tasmânia, Estados Unidos, e no
Brasil em GO, SP e BA. A Permacultura busca rejuvenescer amplamente
o ecossistema, reproduzir suas cadeias alimentares e níveis
tróficos mais naturais, manter e investir em seus clímax
florestais, introduzindo parâmetros de maior cultivo e maior
integração de espécies com um maior valor
e aproveitamento econômico, energético e alimentar,
e pode ser muito bem desenvolvida e ampliada no Brasil. A diferença
da Permacultura para a Agroecologia e a Biodinâmica está
que a Permacultura inclui necessariamente o uso sustentável
e a convivência direta com as florestas e os modelos sociais
que este relacionamento permite, a formação das
ecovilas são estratégicas, as lavouras, hortas,
participam do projeto permacultural em áreas estratégicas.
Já a agroecologia e a biodinâmica priorizam normalmente
a produção de alimentos e modelos mais tradicionais,
que envolvem a formação de sítios e fazendas
ou modernas e sustentáveis empresas agrícolas.
É bom lembrar que o criador da Permacultura, Sr. Bill Mollison,
há mais de 30 anos começou a criar e a manter cidades
que desenvolvem modelos sustentáveis de vida na Austrália
e em muitos países, e recebeu pela destacada importância
e seriedade de sua obra, o 1o. prêmio Nobel Alternativo
do Mundo. Bill publicou dezenas de artigos, livros e manuais de
Permacultura. Destaca-se em sua obra o aproveitamento das condições
solares, eólicas e de matérias alternativos para
a construção das casas. As principais novidades
que a Permacultura propõe são:
1-
O Conceito de Permanência Ecológica ou seja, quando
utilizarmos um material da natureza, que seja de boa qualidade
e procedência, sendo aproveitado durante o maior número
de tempo possível, assim permanecerá sendo útil
por mais tempo semelhante às arquiteturas coloniais dos
séculos passados. Assim evita-se consumir e poluir ainda
mais o planeta. É diferente a bionergia de uma construção,
que utiliza um bom tijolo, ou adobe ou mesmo palha do que uma
casa feita com cimento e concreto, são estas coisas que
a Permacultura se preocupa.
2- O Conceito de Comunidades e Vilas Sustentáveis Rurais
e Urbanas ou Ecovilas: cada vez mais pessoas se unem com propósitos
de proteção, evolução espiritual,
economia ecológica e formam comunidades auto-sustentáveis.
A Permacultura valoriza muito este tipo de organização
social.
3- O Conceito de Adaptação Ecológica: a Permacultura
propõe uma cultura que valoriza as florestas, berço
e mãe da evolução da sociedade humana, que
saiba protegê-la, conviver com sua vida e mistérios
naturais, ainda aproveite seus recursos sustentáveis e
renováveis, desta forma poderá alcançar um
nível de qualidade de vida superior ao encontrado nas grandes
cidades que em sua maioria estão em processos acentuados
de degradação.
4- O Conceito de Aproveitamento Máximo dos Recursos Naturais:
básicos como a insolação, que pode aquecer
paredes, células de energia solar, pomares, hortas; trazendo
economia de energia; a energia dos ventos com o uso de cata-ventos,
cercas vivas, pomares, pastos com árvores, divisores de
cultivos arbóreos; aproveitamento da chuva com o uso de
caixas de água receptoras; aproveitamento de resíduos
humanos e animais; dos resíduos do encanamento da casa
para pomares; uso de telhados vivos vegetais; uso de materiais
alternativos para a construção das casas com adobe,
solo cimento, cascas de arroz, papel, cascas de árvores,
bambu, folhas de palmeiras e ferrocimento.
5 - Aumento da Biodiversidade: o permaculturista propõe
um modelo mais holístico de aproveitamento de seu espaço,
introduzindo um maior número possível de espécies
vegetais que quando combinadas, podem adicionar receitas importantes
no sistema. Obviamente que se evita a introdução
de espécies mais exóticas ou que impactuem com a
realidade do sistema ambiental e natural existente.
6- Apicultura e Animais Silvestres: muito valorizada na Permacultura.
A criação de animais silvestres está em voga
no Brasil, sendo muito importante para a recuperação
e proteção do meio ambiente, alem de trazer respostas
econômicas à realidade da necessidade de um melhor
aproveitamento das florestas e matas nas propriedades rurais.
O dia que o Brasil despertar para o imenso retorno que a criação
de animais silvestres poderá gerar em múltiplos
sentidos sobretudo nas reservas extrativistas da Amazônia
legal, teremos um novo boom econômico e muito interessante
por agradar e impulsionar as novas gerações em toda
a América Latina. Inclusive a Agroecologia e a Biodinâmica
na Amazônia ainda são incipientes, os modelos de
extrativismo tradicionais são dominantes, baseados sobretudo
na colheita da borracha e no corte de madeira. O uso do próprio
adubo orgânico dos animais não está sendo
aproveitado corretamente, e com as chuvas torrenciais, a fertilidade
dos solos é perdida crescentemente ano-a-ano.
7- Ruas e Cercas Vivas Arborizadas com pomares nas cidades e campos:
para combater a fome e a subnutrição a permacultura
advoga o plantio intenso de árvores, que regeneram a paisagem
erodida, combatem perda de umidade e o vento excessivo, trazem
repovoamento da fauna e recuperam o lençol freático.
Em uma estrada de 2 km de terra ou asfalto de acesso pode-se cultivar
mais de 5.000 frutíferas como mangueiras, abacateiros,
pereiras, araucárias, mamão, maracujá na
cerca de arame.