Reciclagem
do Lixo Orgânico
Por Renato Emilio Coimbra
Um dos problemas que vem atormentando grande número de Prefeitos
em todo o Brasil é o destino do lixo produzido pela população.
Logo chegará o momento em que estaremos completamente inundados
pelos resíduos.
Todas
as grandes cidades e proporcionalmente as pequenas têm procurado
resolver os problemas da eliminação dos resíduos
urbanos, tanto de esgotos como dos efluentes das depuradoras. Os
aterros sanitários apresentam-se como soluções
antiecológicas. Se os resíduos são incinerados,
surge o problema da poluição do ar e o descarte das
cinzas. Para o lodo dos esgotos, inabordável pelo processo
de incineração, ainda não se encontrou uma
solução que nos proteja sob o posto de vista ecológico.
No
caso particular do lixo orgânico doméstico, sua coleta
extremamente onerosa, local para bota fora, exigências e multas
dos órgãos destinados à preservação
do meio ambiente, resistência dos municípios vizinhos
às grandes cidades em ceder terrenos para novos aterros sanitários,
procura de restos de comida entre os detritos por pessoas carentes,
proliferação de ratos, insetos, enfim uma série
de problemas que precisam urgentemente ser resolvido em suas administrações.
O
município de Pindamonhangaba dá um exemplo digno de
ser imitado pelos demais, tendo inclusive recebido por duas vezes
o prêmio como campeão mundial de reciclagem.
As
embalagens de alumínio, plásticos, papel, papelão
e outros materiais estão sendo reaproveitados nas indústrias,
oferecendo trabalho e renda aos catadores, diminuindo o custo da
coleta e aliviando os aterros sanitários, a poluição
do lençol freático, nascentes, rios e córregos.
Toda
essa problemática pode ser resolvida com a utilização
das minhocas, que em seu trabalho contínuo e silencioso,
transforma toda e qualquer matéria orgânica em decomposição,
inclusive o lodo das estações de tratamento de esgotos,
em excelente adubo orgânico, o HÙMUS.
Haja
visto que algumas administrações italianas, (Pistoia,
Forlimpopoli, Carpi e outras), em Berna na Suíça,
São Francisco, EUA e no Japão existem importantes
instalações que transformam diariamente mais de 2000
toneladas de cavacos de madeira e outros resíduos, utilizando
as minhocas em sus eliminação.
Há
ainda a ressaltar que a utilização das minhocas é
absolutamente inodora, pode ser instalada em qualquer lugar e qualquer
material orgânico em decomposição, seja esterco,
lixo ou lodos residuais não emitirão nenhum odor a
partir de 24 a 36 horas posteriores à colocação
das minhocas na quantidade adequada.
Contudo
no Brasil só temos ouvido falar na reciclagem do LIXO INORGÂNICO,
que representa em média 20% do total doméstico coletado.
Por
que não reciclar também o ORGÂNICO BIODEGRADÁVEL,
mais poluidor, e que representa cerca de 80% do total?
Se
a população fosse orientada e estimulada a reciclá-lo
em seu próprio domicílio o talvez o problema estivesse
solucionado.
Esta
seria naturalmente uma condição ideal, porém
inatingível pela impossibilidade de alguns, como os edifícios
de apartamentos, mas que iría minimizar o problema, isso
temos absoluta certeza, principalmente nas pequenas cidades onde
o número de edifícios em condomínio é
reduzido.
A
reciclagem domiciliar é mais simples do se imagina. Basta
separar, os materiais biodegradáveis como descarte de verduras,
cascas de frutas, pó de café, erva de chimarrão,
aparas de grama, folhas de árvores, e até o papel
higiênico, enfim tudo o que é biodegradável
e não é reutilizado nas indústrias, colocá-lo
em uma simples câmara por nós imaginada, no fundo do
quintal, já inseminada com minhocas, que transformarão
o lixo orgânico em húmus, o melhor adubo natural conhecido
há mais de 3000 anos no antigo Egito, que será aproveitado
em hortas domésticas, jardins, floreiras, etc. e pelos pescadores
que terão à sua disposição as preciosas
minhocas para iscas.
O
excedente coletado pela prefeitura seria reciclado em pequenas usinas
e minhocários próprios, oferecendo inclusive trabalho
a pessoas carentes, e o húmus, utilizado em jardins, parques,
praças e hortas comunitárias.
Com
a economia na coleta poderiam ser oferecidos alguns incentivos aos
munícipes, como o fornecimento do “Kit” de reciclagem
e algum desconto no IPTU para aqueles que reciclassem correta e
permanentemente o seu lixo. Temos a certeza que no balanço
final o resultado seria positivo para a administração
municipal, tanto econômica como social e politicamente.
Há
quinze anos venho estudando esse problema, e há dois meses
testando o “Kit” em minha residência, tendo reduzindo
a zero sua colocação na via pública, para coleta
do lixo orgânico.
Basta
apenas “vontade”... dos prefeitos em reduzir o faturamento
das empresas encarregadas da coleta, ampla divulgação
e o problema dos aterros sanitários estará praticamente
solucionado ou pelo menos, minimizado.