Protocolo de Kyoto
Depois
de mais de seis anos de negociações, entrou em vigor,
no dia 16 de fevereiro de 2005, o Protocolo de Kyoto, único
instrumento internacional já concebido para lidar com o maior
desafio ambiental da história: a redução do
aquecimento global.
O
protocolo exige que países industrializados reduzam em 5,2%
-em relação aos níveis de 1990- suas emissões
de gases de carbono. Segundo cientistas, esses gases estão
provocando o efeito estufa (aquecimento global) e outras alterações
no clima do planeta. As metas de redução dos gases
devem ser cumpridas até 2012.

Para o Greenpeace, o aquecimento global pode fazer
desaparecer a maioria dos recifes até 2010
Para
pesquisadores, ambientalistas e diplomatas, o acordo de Kyoto representa
mais um sucesso diplomático do que ambiental. O documento,
que pretende cortar a emissão de gases causadores do efeito
estufa, é um triunfo do multilateralismo representado pela
ONU. Mas deixa de fora o maior poluidor do planeta, os EUA.
O
documento foi apresentado pela primeira vez para a assinatura dos
países no dia 16 de março de 1998. Em 2001, o presidente
George W. Bush declarou que os EUA, responsáveis em 1990
por 36,1% das emissões dos países industrializados,
abandonariam o protocolo, por ser danoso à sua economia.
Ironicamente,
o feito de diplomacia, envolvendo 141 países signatários,
pode, em parte, ser creditado a Bush. Caso o presidente dos EUA
não tivesse desistido do protocolo, seria difícil
apostar no cumprimento do acordo.
É
o que afirma o economista Henry Jacoby, do Programa Mudanças
Globais do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA.
"Alguns países terão dificuldades, mas, no geral,
o acordo deverá ser cumprido, porque a Rússia, por
conta de seu colapso econômico, reduziu suas emissões
e terá muitos créditos para vender às nações
que não conseguirem atingir suas metas", diz. "Agora,
se os EUA estivessem no protocolo, haveria essa enorme demanda por
créditos e não seria possível atender a todos.
Medidas
As reduções das emissões dos gases devem acontecer
em várias atividades econômicas, especialmente nas
de energia e transportes. Os países devem cooperar entre
si por meio das seguintes ações básicas:
- reforma dos setores de energia e transportes
- promoção do uso de fontes energéticas renováveis
- eliminação de mecanismos financeiros e de mercado
inadequados aos fins da Convenção de Kyoto
- redução das emissões de metano no gerenciamento
de resíduos e dos sistemas energéticos
- proteção de florestas e outros sumidouros de carbono
Um
ponto em aberto é a punição aos países
que não cumprirem suas metas até 2012. Segundo o acordo,
caso um país não cumpra a meta no primeiro período
de compromisso, ele teria de pagar a dívida no segundo, já
que o protocolo prevê uma nova etapa com a estipulação
de cortes além de 2012.
Mesmo
falando só do primeiro período de compromisso, sabe-se
que as metas de redução estão muito aquém
do que o planeta precisa para permanecer saudável. Para José
Goldemberg, secretário do Meio Ambiente do Estado de São
Paulo, o grande impulso para ir além deve vir da própria
mudança climática.
"Em
mais alguns anos, as evidências de que o aquecimento é
real vão ser tão fortes, veremos tantas catástrofes,
que os países vão entrar em pânico", diz.
Uma
coisa é virtualmente consenso: o planeta está mais
quente, e por culpa do homem. "Nós sabemos, pelos testemunhos
de gelo [cilindros retirados da Groenlândia e da Antártida,
que guardam registros da atmosfera do passado] que nunca nos últimos
700 mil anos foi tão alto o nível de gases-estufa.
Isso é indubitavelmente artificial", afirma o glaciologista
Jefferson Cardia Simões, da UFRGS (Universidade Federal do
Rio Grande do Sul).
O
problema é saber que tipo de alteração o clima
da Terra pode sofrer diante dessas mudanças. A incerteza
ainda campeia. "É muito provável que tenhamos
um aumento médio de 1º C até 2100, e talvez muito
mais", diz o climatologista Peter Stone, do MIT. O resultado
mais previsível dessa alteração é o
derretimento de geleiras e o aumento resultante do nível
dos mares.
Brasil
Embora
o tratado não exija compromissos de redução
de emissões de gases de países em desenvolvimento,
o Brasil assinou a carta de ratificação do acordo
em 23 de julho de 2002. O país é responsável
pela produção anual de 250 milhões de toneladas
de carbono (10 vezes menos que os EUA).
Entre
os programas promovidos pelo governo brasileiro para a implementação
da convenção do clima, destacam-se o Programa Nacional
da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo
e do Gás Natural, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool)
e o Programa de Redução de Emissões Veiculares.